Claro ativa antispam na rede móvel: o que muda para consumidores e empresas
Filtragem gratuita bloqueia chamadas consideradas abusivas antes de o telefone tocar e amplia a necessidade de controle técnico sobre operações legítimas de voz, contact centers e plataformas VoIP.
A Claro começou a ativar uma proteção gratuita contra chamadas abusivas em sua rede móvel. Segundo comunicado publicado pela própria operadora, a solução funciona dentro da rede, será disponibilizada sem custo aos clientes e poderá ser desativada a qualquer momento. A reportagem que revelou a iniciativa informa que o recurso foi apresentado aos assinantes como Claro Chamada Segura e que os avisos começaram a ser enviados por SMS em setembro de 2026.
Para o consumidor, o efeito mais visível é simples: uma chamada classificada pelo mecanismo como abusiva pode ser bloqueada antes de fazer o celular tocar. Para empresas que dependem da comunicação por voz, entretanto, a mudança exige uma leitura mais ampla. Operações de atendimento, cobrança, confirmação de agenda, prevenção a fraudes e relacionamento com clientes precisam demonstrar padrões compatíveis com o uso regular do serviço, ainda que utilizem infraestrutura de telefonia fixa, troncos SIP ou plataformas em nuvem para originar as ligações.
O que a Claro confirmou sobre o serviço
O comunicado oficial da Claro é objetivo: a empresa está ativando gratuitamente uma proteção na rede para reduzir chamadas abusivas e indesejadas. A operadora também informa que o usuário poderá desativar o recurso. Detalhes como os critérios exatos de classificação, os indicadores avaliados e os limites internos de bloqueio não foram divulgados publicamente.
Isso significa que não se deve interpretar o serviço como um bloqueador baseado apenas em uma lista fixa de números. As diretrizes da Anatel permitem que cada prestadora defina sua própria tecnologia, desde que respeite critérios regulatórios comuns. Entre os elementos que podem ser considerados está a compatibilidade entre volume, duração e finalidade das chamadas, sempre à luz das características de uso adequado do serviço de voz.
Ponto de precisão: o anúncio confirmado refere-se à rede móvel da Claro. Isso não significa que o mecanismo seja um serviço antispam oferecido ao assinante do STFC. Uma chamada originada por telefonia fixa ou VoIP, porém, pode ser submetida à filtragem quando seu destino for um cliente móvel protegido pela solução.
A regra da Anatel para filtros antispam
O movimento da Claro ocorre após a publicação do Despacho Decisório nº 82/2026/RCTS/SRC. O ato da Anatel estabeleceu princípios, critérios e salvaguardas para mecanismos próprios de filtragem e bloqueio de chamadas massivas adotados pelas prestadoras. A Agência não determinou uma tecnologia única, mas criou condições mínimas para reduzir decisões arbitrárias e preservar comunicações legítimas.
De acordo com a Anatel, as soluções devem observar proporcionalidade, boa-fé e não discriminação. A ativação precisa ocorrer como padrão para a base de consumidores abrangida, sem cobrança adicional, com comunicação prévia e possibilidade de opt-out por um meio simples e acessível. Serviços essenciais e de utilidade pública, como segurança, bombeiros, defesa civil e saúde, devem contar com salvaguardas contra bloqueios.
O despacho também reconhece o risco de falsos positivos. Um originador afetado pode solicitar informações e eventual desbloqueio pelo procedimento disponibilizado pela prestadora. A operadora tem até dez dias corridos para responder ou efetuar o desbloqueio quando verificar que a chamada não se enquadra nos critérios ou possui características que justifiquem tratamento diferenciado.
Antispam, autenticação e identificação não são a mesma coisa
O filtro antispam decide se determinada chamada deve ou não alcançar o usuário protegido. A autenticação, por sua vez, busca comprovar que o número exibido foi realmente usado para originar a chamada, dificultando o spoofing, prática em que a identificação de origem é adulterada. Já a identificação enriquecida pode apresentar ao destinatário informações como nome da empresa, logomarca, motivo do contato e selo de verificação.
A Anatel tornou a autenticação obrigatória para os chamados grandes chamadores, definidos, em regra, como pessoas físicas ou jurídicas que originem mais de 500 mil chamadas por mês por prestadora. A apuração considera os códigos de acesso ligados ao mesmo CPF ou ao CNPJ da matriz e de suas filiais. Prestadoras de STFC e SMP devem identificar e bloquear a capacidade de originar chamadas desses usuários quando não houver adequação à obrigação de autenticação, observados os procedimentos e prazos regulatórios.
O Não Me Perturbe também continua válido. A plataforma registra a opção do consumidor por não receber chamadas publicitárias abrangidas pelas regras setoriais. Portanto, autenticar ou identificar uma chamada não substitui o dever de respeitar a manifestação do consumidor, e o filtro de rede não elimina as demais obrigações aplicáveis ao chamador.
Como a filtragem pode afetar operações corporativas
O impacto não se limita a empresas de telemarketing. Qualquer organização que origine grande quantidade de chamadas pode ser afetada se o seu comportamento se aproximar dos padrões associados a tráfego massivo ou inadequado. Isso inclui contact centers, instituições financeiras, empresas de cobrança, redes de saúde, serviços de entrega, plataformas de autenticação e operações automatizadas de aviso.
Em ambientes corporativos, a chamada pode nascer em um PABX IP, em uma plataforma de contact center como serviço, em um discador ou em uma rede STFC convencional. Depois de atravessar prestadoras e pontos de interconexão, ela chega à rede móvel de destino. É nessa etapa que o mecanismo da operadora receptora pode aplicar sua classificação. Por isso, qualidade técnica da origem, legitimidade do número e gestão do tráfego precisam ser tratadas ao longo de toda a cadeia.
| Frente | Benefício esperado | Risco operacional | Controle recomendado |
|---|---|---|---|
| Filtragem em rede | Reduz o volume de chamadas abusivas que chegam ao consumidor. | Chamadas legítimas podem sofrer falso positivo. | Monitorar completamento, rejeições e alterações anormais por operadora de destino. |
| Autenticação | Aumenta a rastreabilidade da origem e dificulta a adulteração do número. | Grandes chamadores sem adequação podem ter a originação bloqueada. | Validar enquadramento, integração técnica e evidências de conformidade com a prestadora. |
| Numeração | Facilita a identificação e a responsabilização do originador. | Uso incoerente ou não autorizado prejudica reputação e completamento. | Manter inventário de números, titularidade e finalidade de cada campanha ou serviço. |
| Governança de campanhas | Alinha volume e duração ao propósito real do contato. | Discadores agressivos geram muitas chamadas curtas, mudas ou abandonadas. | Revisar cadência, taxa de abandono, horários, consentimentos e listas de bloqueio. |
O que empresas, provedores e integradores devem revisar
A ampliação dos filtros na rede reforça a necessidade de uma governança contínua da telefonia corporativa. Não basta assegurar que a chamada seja tecnicamente completada na origem. É preciso observar como ela se comporta até o destino e manter dados suficientes para investigar quedas de desempenho, bloqueios e reclamações.
Checklist técnico e operacional
- Mapear todos os CNPJs, números, troncos, fornecedores e plataformas envolvidos na originação.
- Separar campanhas comerciais de contatos transacionais, cobranças, alertas e serviços essenciais.
- Acompanhar volume, duração, taxa de atendimento, chamadas curtas, abandono e repetição por destinatário.
- Verificar as obrigações de autenticação aplicáveis e a correta apresentação do número de origem.
- Respeitar o Não Me Perturbe, preferências contratuais e demais bases de oposição ao contato publicitário.
- Definir responsáveis e reunir evidências para contestar bloqueios indevidos dentro dos canais e prazos disponíveis.
Também é recomendável evitar mudanças frequentes e sem justificativa nos números apresentados ao consumidor. A rotação indiscriminada de numeração pode dificultar a rastreabilidade, reduzir a confiança do destinatário e aproximar a operação de comportamentos associados a abuso. Para provedores e integradores, contratos e rotinas de suporte devem esclarecer quem acompanha indicadores, quem responde por incidentes e como será conduzida uma solicitação de desbloqueio.
Uma mudança de mercado com reflexos sobre toda a cadeia de voz
A adoção do antispam pela Claro sinaliza que a filtragem diretamente na rede tende a ganhar espaço entre as grandes operadoras móveis. Para o consumidor, isso pode reduzir interrupções e tentativas de fraude. Para o setor, o avanço aumenta a pressão por chamadas rastreáveis, identificáveis e compatíveis com uma finalidade legítima.
Esse cenário não elimina o papel da telefonia fixa nem das plataformas VoIP. Ao contrário, exige maior coordenação entre o originador, a empresa contratante, o provedor de tecnologia, a prestadora de STFC ou SMP e a rede de destino. Quanto mais distribuída for a cadeia, mais importante será manter responsabilidades claras, métricas consistentes e capacidade de resposta a bloqueios indevidos.
Chamadas legítimas precisam ser tecnicamente reconhecíveis
Empresas que utilizam voz em escala devem revisar numeração, autenticação, padrões de discagem, indicadores de completamento e processos de contestação. A prevenção de bloqueios começa antes da chamada: na arquitetura, na governança e no uso responsável da rede.
Fontes
- Claro — comunicado “Antispam: Proteção contra chamadas abusivas”.
- Anatel — regras para mecanismos de bloqueio automático de chamadas abusivas.
- Anatel — regras para implementação da autenticação de chamadas.
- Anatel — autenticação e identificação de chamadas.
- Anatel — orientações e medidas contra chamadas abusivas.
- Minha Operadora — Claro libera serviço antispam gratuito contra telemarketing.


